Escola do Mar Açores: zelar pela economia do mar

Sandro Jorge, Diretor Executivo da EMA, esteve à conversa com a Portugal em Destaque onde salientou a contribuição dada pela escola na preservação e desenvolvimento da economia do mar

Sandro Jorge, Diretor Executivo da EMA
Sandro Jorge, Diretor Executivo da EMA

Apresente a EMA – Escola do Mar Açores quanto à formação, preservação do cluster do mar, sua economia e agentes económicos.

A Escola do Mar dos Açores, inaugurada em 2020, destina-se à formação e qualificação de profissionais do cluster do mar e procura, no seu quotidiano, promover uma aprendizagem sólida que salvaguarde a segurança, a sustentabilidade e a qualidade formativa, estando alinhada com os referenciais nacionais e internacionais. A qualificação torna-se, assim, o principal fio condutor para a aquisição de novos conhecimentos pois permite capacitar mais e melhor os profissionais do mar, acrescentando competências aos seus contextos de trabalho, sempre numa perspetiva agregada e cooperante com os demais stakeholders, regionais ou nacionais. Desta forma, a EMA contribui para o empoderamento das diversas fileiras da economia azul.

Recentemente foi lançado o Indico Blue Fund, o primeiro fundo ativo em Portugal integralmente direcionado para a economia do mar. De que forma é que a EMA poderá contribuir para o desenvolvimento da economia do mar?

Atualmente a economia do mar enfrenta alguns desafios como o aumento da competitividade e o desenvolvimento de soluções tecnológicas, sustentáveis e que mitiguem os efeitos das alterações climáticas. Apenas é possível percorrer este caminho com profissionais qualificados e através de um investimento sólido no setor. O fundo capital contribuirá para impulsionar o tecido empresarial e fortalecer a economia azul. A Escola do Mar dos Açores, por sua vez, tem o importante papel de contribuir para a qualificação profissional, fundamental ao desenvolvimento do setor.

Explane a sua opinião sobre o estado de preservação do mar e do seu cluster, com especial enfoque nos Açores. Que medidas poderão ser implementadas para que um dos grandes patrimónios de Portugal seja preservado?

É por demais conhecido que, nos últimos anos, se tem verificado uma intensificação da atividade explorativa dos oceanos, o que origina o aumento sobre os recursos e, em última análise, leva à sua sobre-exploração. Na minha perspetiva a preservação passa por cinco pilares: i) gestão atenta e eficiente, o que pressupõe um profundo conhecimento do estado dos recursos e da forma como estes estão a ser explorados; ii) criação de áreas marinhas protegidas (AMP) bem localizadas e dimensionadas que promovam um forte efeito de spillover (i.e. migração de adultos e juvenis para fora das fronteiras da AMP); iii) monitorização e fiscalização eficazes; iv) investigação e desenvolvimento (I&D) focada no desenvolvimento de formas alternativas, mais sustentáveis e eficientes de utilizar os recursos do mar e, por fim mas não por último; v) promoção de uma literacia do oceano que incentive todos os cidadãos e stakeholders a valorizar a natureza, conduza à difusão de atitudes e comportamentos respeitadores do meio ambiente e, fomente uma utilização consciente e responsável.

A poluição e a preservação das espécies marinhas são temas que estão na ordem do dia. A sensibilização para estas temáticas faz parte da missão da EMA

A sobre-exploração, a destruição de habitats, as alterações climáticas e a poluição constituem as principais formas de pressão sobre os oceanos e seus ecossistemas. Em resultado, por todo o mundo surgem relatos do declínio das populações marinhas e desaparecimento de habitats, o que compromete a saúde dos oceanos. Inverter esta tendência é uma missão ao nível global e entidades como a Escola do Mar têm responsabilidades acrescidas na mitigação deste fenómeno. Por isso, com o apoio dos formadores da escola e o contributo dos investigadores do OKEANOS da Universidade dos Açores, a literacia do oceano tem sido fortemente promovida junto dos formandos.

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