Hang Loose regressa à Europa

A marca de origem brasileira está de regresso ao mercado europeu e pretende fazer as delícias dos amantes do surf (e não só). Bruno Silva, presidente da Hang Loose Europe e Andreia Pinto, diretora do departamento de marketing e comunicação, explicam a estratégia que será adotada nesta expansão e sublinham a forte preocupação com o meio ambiente.

A marca foi fundada em 1982, numa altura em que o mercado de surfwear era praticamente inexistente. Sendo o fundador (Alfio Lagnado) um praticante deste desporto, e estando consciente dessa necessidade no mercado, acredita que este foi o principal ponto de partida para a criação da Hang Loose?
A criação da marca deve-se, sobretudo, ao empreendedorismo de Alfio Lagnado e ao facto de este ser surfista e estar mais consciente das necessidades existentes no mercado.
No entanto, importa referir que existem duas empresas corporativas: a surf-co, detentora da marca (origem brasileira) e a Hang Loose Europe que detém a licença da marca e opera como distribuidora oficial (origem portuguesa). Nesse sentido, atualmente, o nosso propósito é a transformação e a reinvenção desta última.

Descreva-nos o processo de criação/produção da coleção da Hang Loose. Como caracteriza o estilo representado? Qual a mensagem que passa?
O nosso estilo é o streetwear orientado, nomeadamente, para o surf, o skate e tudo o que esteja relacionado com desportos radicais. Atualmente, tentamos definir o nosso estilo e, em simultâneo, pensar no ambiente, utilizando o máximo possível de materiais reciclados seguindo, assim, um trajeto diferente daquele que percorrem os nossos maiores concorrentes.
No que se refere ao têxtil e ao calçado vulcanizado (termo técnico utilizado) este é totalmente produzido no Brasil. Nós limitamo-nos, por questões estratégicas, a fazer a compra e a distribuição do mesmo.
Por outra via, temos o calçado premium em que são utilizadas, por exemplo, peles ou materiais mais nobres.
De futuro, iremos, inclusive, fazer um pronto moda com lançamentos semanais de novos produtos, nos canais online. Estas duas vertentes são da nossa responsabilidade (Portugal) e vão desde a criação até ao produto final. Importa reforçar que ambas as equipas (portuguesa e brasileira) estão em contacto permanente porque, no fundo, somos uma família e, nesse sentido, vamos comunicando e trocando opiniões, embora cada uma tenha a sua quota parte no projeto.

Relativamente ao público-alvo, podemos dizer que a Hang Loose está direcionada, sobretudo, para os jovens?
O grande boom da marca deu-se na década de 80. A partir de 2009, esta foi desaparecendo devido a questões estratégicas adotadas por parte da empresa brasileira.
Hoje, o que nós queremos é fazer da Hang Loose Europe uma marca revivalista, ou seja, pretendemos não só trazê-la de volta, mas também fazer com que o público que conhecia a marca, a dê a conhecer aos seus filhos, sobrinhos e demais familiares, de forma a atingirmos o nosso público de massas (os millennials) e conseguirmos, assim, estar posicionados de forma equitativa (ou, quem sabe, até superior) às restantes marcas disponíveis no mercado.

Costumam realizar eventos não só de caráter amador, mas também provas internacionais, reconhecidas um pouco por todo o mundo. Para este ano, quais são os eventos que têm previstos?
Este ano vamos, sobretudo, posicionar a marca no mercado através do revivalismo – trazer memórias de quem já privou com a marca e criar novas memórias. Assim, pretendemos estar perto dos nossos surfistas/embaixadores e prevemos, inclusive, fazer uma road trip pela costa portuguesa e estar junto dos nossos atletas, com quem vamos desenvolver algumas ações de cariz social como, por exemplo, a limpeza de praias. O nosso slogan será “think green” e esta tem sido a nossa estratégia, basta olharmos para os nossos produtos que têm em linha de conta a redução da pegada ecológica.
Ainda assim, a nossa grande aposta será trazer de volta o campeonato – Hang Loose Surf Attack – em 2023, o que será uma alegria para os amantes do surf.

Tendo por base esta expansão europeia, quais são as vossas pretensões para o mercado português, em particular?
No nosso grupo empresarial identificámos uma lacuna vigente no mercado português: a falta de marcas próprias! Estivemos (e ainda hoje continuamos) muito expostos ao private label. Aliás, os nossos clientes de maior volume eram aqueles para quem produzimos as suas marcas e daqui advinham alguns problemas, como o facto de não podermos ter uma estratégia própria. Então, a partir de 2020, demos início a negociações para a compra de algumas marcas, nomeadamente da Hang Loose, tendo em conta que esta já tinha algum reconhecimento e era direcionada para os teenagers (um público que também nos interessava ter no grupo). Assim, nasce a Hang Loose Europe, que nos permite utilizar a nossa grande vantagem: o know-how da fabricação, quer no têxtil, quer no calçado, e poder trabalhar numa ótica de b2c (business to consumer).
Queremos, essencialmente, fazer um approach ao mercado nacional, com as lojas que se dedicam ao mundo do surf, do skate, entre outros; posicionarmo-nos como uma marca verde quer em Portugal, quer na Europa, e a partir daí trabalhar arduamente, os frutos acabarão por surgir naturalmente.

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