“Não há impossíveis para quem tenta”

A Diretora de Marketing e Media e membro da Direção Executiva da Unilever, revela o segredo do seu sucesso profissional: o apoio incondicional da família e a realização no plano espiritual.

Licenciada em economia, acabou por enveredar pela área do marketing. Quais as motivações que estiveram na origem desta mudança?
Desde sempre me envolvi em imensos projetos e atividades diferentes. Tanto organizava viagens, como apoiava iniciativas de caridade e liderava associações de estudantes. Em termos académicos, tinha sucesso nas matemáticas, nas línguas e até nas artes. Licenciei-me em economia precisamente por gostar de tantas áreas distintas. Achei que seria o curso mais abrangente e que melhor preparação me daria para quaisquer que fossem as oportunidades que o futuro me proporcionasse. Tal permitiu que eu tivesse um percurso profissional bastante diversificado, tendo começado pelas Vendas, onde adquiri competências de negociação e gestão de conflitos, depois pela Gestão de Categorias e Customer Marketing, chegando ao Marketing, que requer um planeamento mais estratégico e uma maior visão a longo prazo. Assim, fui passando por diferentes empresas, categorias, canais e países.
Na Unilever, o Marketing é uma função muito próxima de general management, onde sou responsável por unidades de negócio inteiras e o seu P&L (Profit and Loss Statement). A minha maior motivação é sentir que tenho um vasto âmbito de responsabilidades, bem como uma equipa para gerir e desenvolver, a quem posso acrescentar valor diariamente. A verdade é que, em qualquer função ou empreendimento a que me dedique na vida, seja profissional ou pessoal, dou sempre o melhor de mim e, por isso, acabo por adorar tudo o que faço!

Sabemos que esteve alguns anos a trabalhar em Inglaterra. Quando é que se dá o regresso a Portugal e que razões o justificam?
Trabalhei durante cinco anos nos headquarters da Unilever a desempenhar funções globais na área de Customer Development e foi uma das melhores experiências que tive, contribuindo imenso para a minha aprendizagem profissional, mas também para a união e evolução pessoal de toda a família.
Regressei em 2018 a Portugal por dois motivos que se coadunaram perfeitamente na altura: primeiro, recebi o convite do CEO português para a função que desempenho atualmente, que estava perfeitamente alinhada com o meu plano de desenvolvimento de carreira, voltando à operação após cinco anos de cargos de estratégia, fazendo parte da comissão executiva e preparando-me melhor para uma futura direção geral; depois, o timing era perfeito para implementar o plano pessoal de aumento do agregado familiar que tínhamos e que pusemos em prática assim que chegámos a Portugal, candidatando-nos a um processo de adoção.

Está há 20 anos na Unilever. Esta relação tão duradoura prende-se com o facto de se identificar com o projeto? Conte-nos mais sobre esta experiência profissional e sobre os cargos que agora ocupa.
A permanência na Unilever prende-se, indubitavelmente, com o facto de me identificar com a companhia e partilhar os mesmos valores. A Unilever rege-se pelo Propósito, defendendo que marcas com propósito crescem mais, pessoas com propósito prosperam e empresas com propósito perduram. Eu sempre fui completamente orientada por um propósito – ter um impacto positivo em todas as vidas que toco – e sinto que aqui consigo, não só vivê-lo internamente no meu dia a dia e interação com colegas, fornecedores e clientes, como pô-lo em prática através do meu trabalho, chegando a comunidades maiores e a milhões de consumidores.


A Teresa, além de desempenhar este cargo de tamanha importância na Unilever, é mãe de seis filhas. Como é que consegue gerir o seu tempo entre a esfera profissional e a vida pessoal? Qual é a fórmula para garantir o equilíbrio e o sucesso nestas duas vertentes?
Eu sou uma falsa calma. Tenho um ar muito sereno e mantenho sempre a tranquilidade até para filtrar instabilidade, seja no trabalho ou em casa. Mas, por dentro, sou hiperativa e a minha cabeça é uma “to do list” em permanente mutação, o que só se coordena com muita memória e organização. Mas os dois grandes segredos para o meu equilíbrio são:
Tal como diz a frase “por trás de uma grande mulher, há sempre um grande homem”, o herói da minha vida é o meu marido. Abdicou da carreira na área da publicidade quando fomos para Inglaterra para apoiar a família e encontrou também ele o seu propósito, passando a ser treinador de futebol em part-time, o que nos possibilita ter um de nós mais disponível para a casa e as filhas, enquanto o outro tem de dedicar mais horas ao computador, reuniões, viagens, entre outros afazeres.
O segundo segredo é uma grande fonte de energia espiritual. Enquanto alguns buscam forças no desporto ou na meditação, eu faço-o na religião e na caridade. Isto não só me dá energia, como coloca tudo o resto em perspetiva e me ajuda a separar muito bem as águas. Quando estou a trabalhar ou a apoiar os outros, dedico-me por inteiro a isso. O mesmo acontece nos momentos em que estou com a família, tento que esse seja um tempo de qualidade.

Na sua opinião, que caraterísticas têm as mulheres que podem ser importantes para este mundo dos negócios? Gostaria de deixar algumas palavras a quem ousa conquistar cargos de liderança no seio das organizações?
Existem características que um bom líder deve ter independentemente do género. Porém, igualdade não é equidade, e os homens e as mulheres são muito diferentes.
O que as mulheres têm de especial que as favorece na liderança são, na minha opinião, três fatores: a capacidade de multitasking, mantendo o pensamento estratégico sem descurar o detalhe; o lado maternal que as faz ser excelentes “líderes por exemplo”, preocupadas com o legado que deixam às suas equipas tal como uma mãe se preocupa com o modelo que passa aos seus filhos; a forma como colocam o seu coração em tudo o que fazem, dedicando-se de corpo e alma aos projetos e aos colaboradores.
O que gosto sempre de deixar como mensagem a outras mulheres é o mesmo que digo às minhas filhas: não há impossíveis para quem tenta! Nem para as mulheres, nem para ninguém. É possível ter carreira, ser líder, mãe, desportista, missionária e ainda sonhar mais além, desde que se ponha esforço, dedicação e alma nisso.

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