Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Empreendedora, feminina, apaixonada pela vida, pelo mundo, por Portugal, assim é Tânia dos Santos Silva! A partir do Dubai, concedeu uma entrevista exclusiva à Portugal em Destaque, onde partilhou o seu percurso (entusiasmante) até à criação da Lala Diamonds.

Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Empreendedora, feminina, apaixonada pela vida, pelo mundo, por Portugal, assim é Tânia dos Santos Silva! A partir do Dubai, concedeu uma entrevista exclusiva à Portugal em Destaque, onde partilhou o seu percurso (entusiasmante) até à criação da Lala Diamonds.

Gostaríamos de começar por conhecer melhor a Tânia dos Santos Silva. Fale-nos um pouco sobre si.

Uff, eu acho que já vivi 100 vidas desde que nasci. Nascida e criada em Coimbra, cidade que terá sempre um lugar especial no meu coração – pela família e amigos que ainda hoje estão muito presentes. Eu sempre fui muito curiosa e insatisfeita e nunca nada era suficiente para mim, o que fez ter passado pelo ensino privado e público em Coimbra. Mas, posso dizer que o Colégio de Cernache será sempre a minha referência na educação pré-universitária. Os meus dois primeiros anos na universidade foram passados em Direito – porque sim, porque é Coimbra e o Direito era quase obrigatório, mas acabei por fazer a licenciatura em comunicação social na ESEC e estou agora a meio de um Mestrado em Ciências, na Middlesex University, aqui no Dubai, especializado em corporate marketing & communications.

Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Nos meus quase 40 anos – nem acredito que vou fazer 40 este ano (sorri), posso dizer que já fiz um bocadinho de tudo e que não tarda acabo por ser mais “do mundo” do que portuguesa. Saí de Coimbra com 24 anos rumo a Madrid, para me dedicar a um estágio em negociação e influência e de lá fui para Luanda (já vos disse que também sou angolana?) A minha mãe, avó, bisa e trisavó… toda uma linhagem de mulatas fantásticas, são angolanas, e eu guardo em mim uma costela africana.

Chegada a Luanda coordenei uma mão cheia de projetos relacionados com a promoção do país em publicações internacionais como a Bloomberg, The Daily Thelegraph, Usa Today, Le Fígaro, entre outros. Fiz o mesmo em Moçambique e na África do Sul. Com o passar dos anos e com as fortes relações profissionais estabelecidas em Angola, acabei por também dar o meu cunho na Mota-Engil Angola, no Jornal Expansão e na TPA. O dinamismo do mercado angolano assim o pedia. Mais tarde recebi um convite da NIS Gazprom Neft, para fazer o front da área de desenvolvimento em Angola, ao qual não resisti. Os meus dias eram passados entre parceiros privados e estatais da NIS, bem como do próprio órgão que tutelava o setor: o Ministério dos Petróleos. Foi aqui que recebi o convite para representar Angola num cargo diplomático na OPEC, em Viena. Foi um processo, bastante exigente e difícil de superar, mas depois de várias entrevistas presenciais recebo um telefonema da Organização a convidar-me para ser a próxima Coordenadora de Relações Públicas da OPEC em Viena. Eu era uma mulher de 30 anos numa organização maioritariamente masculina e árabe… nem sempre foi fácil. Geria uma equipa de 7 pessoas em que a média de idade era de 50 anos. Com tudo o que isso implica, digo que gerir egos femininos é mais fácil que os masculinos. Digo também que ter de mostrar trabalho a dobrar para me darem valor e respeito (porque sou mulher) é algo que ainda hoje existe e me acompanhou desde o dia 1. Já estou tão habituada que deixei de dar importância, mas não devia ser assim. Mas voltando a Viena, e na altura ainda Tânia Vasconcelos, (sorri) um ano depois conheci o meu marido e acabei por voltar para Luanda. Recebi um convite para liderar a JLM & Associados em Angola, e assim regressei a África. Durante este período, apostei imenso na educação e tive a oportunidade de estudar na Columbia University e na Cambridge University. Foi numa destas minhas viagens aos Estados Unidos e Reino Unido que me cruzei com um conceito fantástico que despertou a minha veia empreendedora. Sempre tive muito self-awareness no que toca à saúde e sempre adorei partilhar experiências e conhecimento. Achei que um conceito de saúde que funciona no mundo inteiro seria um sucesso em Portugal. E foi, nos poucos meses que tive a clínica aberta. Lembram-se da Reviv Lisbon, uma clínica de terapia intravenosa e intramuscular de vitaminas? Era minha, foi o meu primeiro bebé. Porquê perder 6 meses a tomar multivitamínicos que podem acabar por não ter qualquer efeito relevante, quando podemos dar ao nosso corpo aquilo que ele precisa em 20 minutos num saco de 100 mm de soro com vitaminas especificas para as nossas necessidades? Bem, foi uma relação de amor-ódio. Os media e as instituições que tutelavam a clínica odiavam, os clientes adoravam. Acabei por ter de encerrar a clínica e perder mais de 300 mil euros. Portugal ainda não estava preparado para aceitar este conceito – apesar de ser praticado por muitos médicos nacionais (sorri).

Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Os anos passaram e de Luanda vim para o Dubai, onde já estou há 5 anos. Eu e o meu marido temos uma empresa de consultoria financeira onde eu participo nas áreas de comunicação política e corporate. Há 3 anos fui mãe dum menino – bombom delicioso – que me roubou o coração e admito que me entreguei à maternidade de uma forma que me surpreendeu.

O surgimento do Covid-19 e o primeiro lockdown nos UAE, encontrou-me a estudar o setor diamantífero e aproveitei para me graduar no curso de diamonds and diamonds grading na GIA (Gemological Institute of America). Passado um ano e meio, e com as relações criadas no setor, finalmente nasceu a Lala.

Estudou e trabalhou em vários países, dentro e fora da Europa. Quais as principais vantagens e desafios que encontrou nesses cargos e dinâmicas de trabalho?

As vantagens, do meu ponto de vista, são sempre as mesmas: a visão diversificada e a riqueza intelectual que ganhamos a trabalhar ou a viver noutras culturas e a capacidade que ganhamos de resistir às adversidades. A mentalidade que se adapta ao mundo e não ao local, o olhar de forma diferente para os problemas. E a experiência que nasce dessas vantagens e desafios, faz de nós uma mais valia em qualquer contexto profissional. Os desafios são, na minha opinião, do foro mais pessoal: as saudades da família, a adaptação a novas realidades, a dificuldade em fazer amizades sérias tão tarde na vida. Principalmente para nós, mulheres que conseguimos ser tão mazinhas umas para as outras.

As vantagens, do meu ponto de vista, são sempre as mesmas: a visão diversificada e a riqueza intelectual que ganhamos a trabalhar ou a viver noutras culturas e a capacidade que ganhamos de resistir às adversidades. A mentalidade que se adapta ao mundo e não ao local, o olhar de forma diferente para os problemas. E a experiência que nasce dessas vantagens e desafios, faz de nós uma mais valia em qualquer contexto profissional.

Os desafios são, na minha opinião, do foro mais pessoal: as saudades da família, a adaptação a novas realidades, a dificuldade em fazer amizades sérias tão tarde na vida. Principalmente para nós, mulheres que conseguimos ser tão mazinhas umas para as outras.

Qual o lugar que Portugal ocupa na sua vida?

Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Portugal vai sempre ser Portugal. Vai sempre ser a minha zona de conforto, o meu respirar fundo, vai sempre ser “a minha casa”, daí todos os meus esforços em levar o “mundo” para Portugal.

Sempre que identifico novas oportunidades de negócio que são inexistentes em Portugal, faço os possíveis e às vezes os impossíveis para levar o conceito até território luso.

Tenho neste momento em mãos um projeto que nasceu duma conversa de Instagram com a Rita Ferro Rodrigues e ela nem sonha (vou dizer-lhe agora). Está completamente direcionado para as mulheres, aquelas mulheres que abraçam o lado feminino delas sem vergonha ou pudor. Acho que posso partilhar o nome pelo menos: MaiSwim. É um projeto completamente digital de bikinis… menstruais, que em breve partilharei.

A Lala Diamonds and Jewelry completa um ano de atividade e certamente está orgulhosa por ter lançado a sua marca. O que impulsionou esta aventura?

No início da pandemia eu estava a começar a olhar para o negócio dos diamantes e, como referi, aproveitei o período mais difícil dos lockdown para apostar na formação GIA. O gosto pelos diamantes foi crescendo a par com o conhecimento, uma coisa levou à outra e decidi então criar a Lala Diamonds and Jewelry.

O primeiro ano foi, e está a ser, de enorme aprendizagem e evolução, de constante dedicação, mas foi também, sem dúvida, muito positivo e o feedback do mercado tem sido excelente.

Todas as peças da Lala Diamonds são em ouro maciço de 18k e pedras preciosas, mas essencialmente, para quem as compra e para quem as recebe, são a memória de um momento muito feliz e é isso que me motiva e me entusiasma.

A Lala é o meu amor, a Lala é vossa também. A Lala é a minha forma de dar ao mundo beleza acessível em forma de diamantes e pedras preciosas. Tenho uma equipa fully female, Mariana e Sara, a ajudar-me e a fazer da Lala uma marca mais credível e respeitada no mundo digital – não é fácil de encantar e fidelizar esta nova onda online de clientele, mas estamos aqui para os desafios!

A Tânia dos Santos Silva é um exemplo de uma mulher empoderada e líder. A Lala Diamonds and Jewelry é um reflexo da sua personalidade como uma mulher eternamente líder e translúcida como um diamante?

Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Eu nunca me considerei uma empowered woman, sempre achei que tinha “boas ideias” e que as conseguia concretizar. Talvez a minha paixão pela vida e por projetos inovadores leve as pessoas a seguirem-me – e na verdade sem essas pessoas nenhum projeto seria concretizado e eu não estaria aqui a ser entrevistada.

Aceito ser líder porque tenho uma equipa fantástica, que funciona, que discute planos, mas que, principalmente, se entrega. A Lala é um reflexo do meu amor por coisas bonitas e que nos fazem sentir bem. Coisas reais, palpáveis e eternas.

Encontramo-nos, no país e no mundo, em luta por direitos igualitários entre homens e mulheres. Quais considera ser as principais características de uma mulher líder? E o que falta para alcançarmos a igualdade de género nos negócios?

Lidar com o preconceito de género e os desafios no local de trabalho é necessário para o crescimento das organizações, da sociedade e da economia em geral.

A mulher líder é igual a tantas outras e tão diferente ao mesmo tempo; é sobretudo forte e consciente: toma a responsabilidade e aceita as consequências das suas ações. Não tem medo de sair da sua zona de conforto, conquista os seus medos e está sempre à procura de espaço para melhorar e aprender. Tem uma mente aberta e consegue olhar para os problemas de vários ângulos. Mas acredito que uma das características mais importantes de uma mulher líder é a empatia. Mulheres líderes empáticas conseguem abordar os temas numa perspetiva ao mesmo tempo larga e particular.

Tânia dos Santos Silva, o rosto por detrás da Lala Diamonds

Na minha opinião, falta a vontade de priorizar este tema para que esta igualdade possa ser alcançada. Porque as mulheres líderes existem. Todos nós conhecemos uma pelo menos!

E talvez as organizações devam ganhar essa consciência e desenvolver programas que visem equipar melhor as líderes atuais para enfrentar esses muitos desafios.

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Posted by: AdminPEDteste on