Turismo: um setor de e para pessoas

Roberto Antunes, Diretor Executivo do NEST

Roberto Antunes, Diretor Executivo do NEST – Centro de Inovação do Turismo, vê a utilização das ferramentas tecnológicas no turismo como uma alavanca para o desenvolvimento da economia nacional e revela de que forma o Centro de Inovação tem contribuído para potenciar o setor.

Conte-nos um pouco sobre o seu trajeto profissional até chegar ao cargo de Diretor Executivo do NEST. O que o levou a abraçar este projeto?
Sou formado em Economia e iniciei a minha carreira profissional ligada ao Marketing, nomeadamente, o internacional. Trabalhei em algumas multinacionais e percorri vários mercados onde desempenhava funções tanto ao nível regional, como global. Simultaneamente, ia-me dedicando a áreas de que gostava, entre as quais, o turismo. Por volta de 2005, decido fazer uma pós-graduação em gestão hoteleira e destinos turísticos na Escola Superior de Turismo do Estoril com o objetivo de desenvolver competências que me pudessem abrir portas no setor. No fundo, eu sempre tive a visão de que um dia iria trabalhar no turismo. Após um longo período enquanto expatriado, de volta a Portugal, dá-se uma mudança radical na minha carreira. Nesse exato momento deu-se um encontro de vontades, entre o meu desejo de me dedicar ao turismo e o facto de, nesse exato momento, estar a ser pensado um centro de inovação que requeria um diretor executivo. Tenho assumido essa posição desde maio de 2019.

O NEST- Centro de Inovação do Turismo é o projeto âncora da iniciativa Turismo 4.0. Quais são os principais objetivos atuais deste Centro e do vosso trabalho diário?
O NEST nasce em fevereiro de 2019 com o objetivo de inovar e acelerar a digitalização dentro do setor do turismo em toda a sua cadeia de valor e com a missão de suportar as PME (Pequenas e Médias Empresas) na transição digital, bem como executar programas que percorrem quatro grandes áreas:
• Cultura de inovação – o entendimento geral do próprio setor da necessidade de inovar para almejar o crescimento preconizado na Estratégia de Turismo 20-27;
• Cooperação – trabalhar num ecossistema alargado para estar ao nível deste desempenho acelerado e de alta transformação, e conseguir transferir esse conhecimento;
• Experimentação – encontrar tempo, espaço e até disponibilidade financeira para dar vida a projetos-piloto;
• Disseminação e a internacionalização – garantir que, durante todo este processo, estabelecemos relações fortes com outros parceiros que também dominam as áreas da inovação, sejam eles nacionais ou internacionais, alargando os nossos horizontes, aumentando a capacidade de execução por conta de parcerias e aos poucos estabelecer no setor o conceito de innovation village: quanto mais o ecossistema souber sobre inovação, mais arrojados poderemos ser.

Este projeto foi reconhecido como polo de Inovação Digital e European Digital Innovation Hub. O que representa esta distinção?
Eu penso que, num curto espaço de tempo, o NEST conseguiu demonstrar a sua relevância para o setor, considerando o período excecional e desafiante em que vivemos. Isto permitiu que dentro de uma estrutura bastante pequena nos conseguíssemos alinhar com uma série de outros parceiros para coordenar a criação de um digital innovation hub que, na verdade, também serve para cumprir os desígnios da aceleração e da transição do setor através da inovação. Trata-se, de um braço armado dentro da economia para ajudar diretamente as PME, a quem estas podem recorrer diretamente. Terá uma capacidade de conexão no terreno e um entendimento das necessidades muito maior, bem como a habilidade da execução e de desenvolvimento da inovação por conta própria. São nove entidades com competência na matéria, que se juntam e que podem dar resposta a uma grande parte dos desafios que o próprio setor e as suas empresas vão encontrando neste percurso. Nesse sentido, houve o reconhecimento de que estávamos e por isso fomos designados digital inovation hub, o único focado em turismo tanto a nível nacional como europeu, e que neste momento está numa candidatura para que se torne Europeu i.e. que atue de Portugal para outros estados-membros.

Na sua ótica, de que forma é que a inovação tecnológica pode contribuir para o desenvolvimento e evolução do turismo em Portugal?
Pode contribuir em grande escala pois da inovação tecnológica advêm imensas oportunidades e é sobre esta que se tece, hoje em dia, o desenvolvimento económico das empresas um pouco por todo o mundo. No turismo, obviamente, poderá ter imensos impactos, entre os quais, a desmaterialização de tarefas; um maior acesso à informação sobre a procura; melhorias de serviços para os próprios clientes; a oportunidade de ter uma experiência muito mais imersiva, completa, enriquecedora e, quiçá, inesquecível; corresponder mais facilmente às necessidades individuais; ter uma gestão cada vez mais sofisticada das próprias operações permitindo a lucratividade e a agilidade de forma a perpetuar a sustentabilidade económica das entidades, projetando tudo isso para o futuro; entre outros. Além disso, as ferramentas tecnológicas são transversais e fáceis de aplicar a todas as esferas da economia ainda que, por vezes, sejam necessários alguns ajustes.

Quais são as suas previsões para o setor do turismo? De que forma é que o NEST o poderá continuar a potenciar?
Muito boas. É difícil falar de previsões quando não temos o sustento de um período estável que permita projetar a continuidade, ao jeito do que acontecia no passado, mas rendo-me às evidências.
Primeiramente o turismo, não obstante as dificuldades, sempre demonstrou uma enorme resiliência e em momentos de abertura e de estabilização conseguiu um crescimento incomparável, mesmo relativamente a outras áreas. Depois, são de destacar as competências de todo um setor que teve de se estruturar, seguir estratégias e que está muito bem articulado para que, mesmo nos momentos mais complicados, consiga entregar um serviço de excelência e muito apreciado a nível mundial. Somos o 12.º destino no ranking mundial, afirma o Fórum Económico Mundial.
Concomitantemente, tenho visto que os intervenientes no ecossistema têm estado focados na digitalização, na transformação, na busca de modelos mais ágeis que atendam um consumidor ou cliente diferente e têm uma vontade de inovar e colocar investimento por detrás de novos segmentos ou até de restruturar aqueles que eram mais representativos no passado que me levam a crer que vamos, não só retomar os nossos níveis de crescimento mas eventualmente até acelera-los, concretizando tudo aquilo que tínhamos previsto.
Aliás, basta olharmos para os resultados que obtivemos no período da Páscoa, os níveis de ocupação foram elevadíssimos e os voos estavam lotados, o que me faz olhar com positividade e esperança para o futuro. Por fim, a oferta que temos em Portugal, é incomparável enquanto genuína e de narrativas que só aqui se encontram.

Contacts:
Posted by: AdminPEDteste on
Tags: